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ORGANIZAR PARA APRENDER

Na desordem do filho que se enrosca com as coisas da escola, há uma ordem em construção. Calma com ele!

Lição de casa, provas, informações, prazos, horários. Ufa! A partir dos 7 anos, a escola tem menos brincadeiras e mais responsabilidades. Será que seu filho vai dar conta do recado? Algumas crianças logo se adaptam, enquanto outras se atrapalham, às vezes a ponto de perder o pé no aprendizado. Destas é comum se ouvir que são desorganizadas, e então pais e professores se empenham em ajudá-las, ensinando-as a se organizar conforme os padrões deles. Parece a atitude correta, mas com frequência a criança piora em vez melhorar: fica paralisada, como se não conseguisse entender mais nada, ou se nega a fazer as atividades. Outras entram num processo de aceleração, atropelando o aprendizado, como Igor, de 7 anos. "Ele quer escrever rápido demais e aí comete muitos erros", conta a mãe, Olívia Farias Macedo.


Do jeito dele

          
Na verdade, por meio de um comportamento visto como desorganizado, crianças como Igor podem estar expressando outra maneira de organização, como explica a professora de psicopedagogia Eloisa Quadros Fagali, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). "Quando os pais ou educadores conseguem ver a situação dessa forma, permitem que a criança progrida num movimento de vaivém, entre ordem e desordem, até criar sua própria organização. Se lhe cobram um padrão de ordem que contraria seu estilo, a criança pode acreditar que é incompetente." Nesse período escolar, a criança também está numa fase de desorganização interna, provocada por um avanço em seu desenvolvimento. "Trata-se de uma nova etapa de construção da inteligência, em que ela aprende a raciocinar, a olhar o colega e a si própria de outra forma. É preciso dialogar com essas experiências da criança e, pacientemente, levá-la a se situar no tempo e no espaço e a construir sua própria ordem", alerta a psicopedagoga.


Visão global

         
Os pais não devem cobrar organização do filho sem antes tentar entender como a cabecinha dele funciona. Tem criança que aprende captando muitas coisas ao mesmo tempo e olhando primeiro o todo para só depois se ater às partes e organizá-las globalmente. É um tipo intuitivo, imaginativo, que tende a valorizar aspectos mais gerais das situações, desligando-se dos detalhes. Quem tem uma outra visão de ordem, pode achar que essa criança vive no mundo da lua, que não vai conseguir se organizar para aprender. "Ela apenas tem um jeito próprio de processar as informações. Se tentam impor-lhe outra forma de construir e planejar, essa criança acaba não articulando o necessário para desenvolver e expressar o que aprendeu, apresentando,  muitas vezes,  falhas na linguagem e no pensamento matemático", diz a psicopedagoga Eloisa Quadros Fagali.

Fonte:www.revistacrescer.com.br