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A INTERNET E O ADOLESCENTE

A internet possui um acervo de informações gigantesco que pode ser muito bem utilizado pelos estudantes. São várias as possibilidades de aliar a rede ao aprendizado. Ao mesmo tempo, encontra-se no mundo virtual uma infinidade de práticas pouco construtivas e uma gama sem fim de conteúdo inadequado. Existe um risco enorme de o jovem gastar horas na rede apenas com bobagens. "Hoje, a internet compete com a motivação para o estudo", afirma Evely Boruchovitch, professora da Faculdade de Educação da Unicamp. Para que a internet seja uma ferramenta, ao invés de um obstáculo, é preciso orientar os adolescentes. Cabe aos pais e a escola esse papel. 

Como a escola deve trabalhar?

A tecnologia toma muito tempo dos adolescentes, o que pode ser uma falha da própria escola. "Os colégios não ensinam os alunos a gerenciar o tempo", diz Evely Boruchovitch. Para o diretor do Colégio de Aplicação da UFPE, José Carlos Alves de Souza, a escola tem de ensinar aos alunos como aproveitar melhor a web. "A internet é um meio de informação muito veloz. Por isso, a maioria das informações são muito rasas, e os alunos não têm tempo para refletir sobre o que leem. Com a orientação de professores, a internet pode ser uma boa fonte de conhecimento", diz o diretor.

O que a família pode fazer?
Os pais têm papel importante na hora de ajudar o filho a organizar o tempo de estudo e o tempo de usar o computador. Impor um limite de uma ou duas horas por dia é uma solução para evitar que seu filho passe o dia na internet . Para isso, é importante que o computador esteja em um lugar comum da casa. Evite também dar computadores portáteis ao seu filho. "Há alunos que levam o laptop para o banheiro enquanto fingem tomar banho", afirma Adilson Garcia, do Colégio Vértice.

Geração interativa

Pesquisa mostra que as crianças e os jovens brasileiros usam internet, celular, videogame e TV mais para brincar do que para estudar


Texto
Patrícia Cerqueira

Aparelhos tecnológicos viram itens para lazer de crianças e jovens

Computador, celular, videogame e TV ainda são pouco usados com função educativa no Brasil e na América Latina. É o que mostrou a pesquisa A Geração Interativa na Ibero-América: Crianças e Adolescentes diante das Telas, realizada pelo programa EducaRede, da Fundação Telefônica. Computador, celular, videogame e TV, hoje, significam diversão. Para as crianças e adolescentes, essa tecnologia toda é lazer. “Não estamos sabendo explorar as possibilidades dessas ferramentas na Educação das crianças porque somos forasteiros digitais”, afirma Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora-geral do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). 

Realizada pelo programa EducaRede, da Fundação Telefônica, a pesquisa contou com a participação de 900 escolas públicas e privadas de cidades em sete países da América Latina (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela). Mais de 25 mil estudantes, dos 6 aos 18 anos, responderam entre outubro de 2 007 e junho de 2 008 a um extenso e detalhado questionário on-line sobre sua vida, família, escolaridade e usos, costumes e afinidades com a tecnologia. Aos mais novos foram dirigidas 21 questões e aos mais velhos, 60. No Brasil, 790 crianças, entre 6 e 9 anos, e 3 415 estudantes, entre 10 e 18 anos, todos de áreas urbanas do Estado de São Paulo, responderam as perguntas. “Fiquei impressionado com a relação de prioridades investigadas. A pesquisa queria saber se tinham ou não acesso a internet, onde, por quanto tempo, em que lugar acessavam, se na escola ou em casa”, completou Antonio Carlos Valente, presidente da Fundação Telefônica e da Telefonica. Para ele, o estudo também é um grande orientador de negócios. O documento final, que se transformou num livro, desvendou pontos (positivos e negativos) sobre o uso da internet, videogame, celular e TV por crianças. “A pesquisa é um instrumento de análise e discussão de como podem ser dirigidas ações responsáveis sobre uso da tecnologia para esse público”, disse Sergio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefonica. 


FONTE: www.educarparacrescer.com.br