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DENTINHOS AFIADOS |
Os dentes são de leite. Delicadeza só mesmo no nome. Quando a criançada resolve afiar as garras e cravar os pequenos caninos na bochecha de um amiguinho é um Deus nos acuda. Sobram lágrimas para todos os lados, professores preocupados em apartar o conflito e pais cheios de razão querendo saber quem é o ‘‘responsável’’ pelas dentadas. No meio da confusão lá está o culpado, com menos de 1 metro de altura e pouco mais de ano de idade. É justamente nessa fase que algumas crianças descobrem que podem usar os dentes para expressar as emoções, seja de raiva, de ciúmes ou simplesmente para fazer um pedido.
Nos primeiros anos da infância, também são comuns os tapas e beliscões quando surge uma contrariedade. O problema é quando a tática vira rotina e haja braço para ser mordido. Cabe aos pais ensinar aos filhos que há formas muito mais amistosas de se resolver um confronto.
As crianças muito pequenas não têm todos os recursos de linguagem para expressarem o que sentem. As mordidas são instrumentos usados para conhecer os limites dela e a reação do outro. Afinal, é bom lembrar que nessa idade as crianças vão à primeira vez para a escola e lá descobrem que não são as únicas interessadas nos brinquedos. Tampouco são o centro das atenções da professora. Aí, rusgas por causa da falta de exclusividade e disputas com o colega por qualquer bobagem podem gerar um conflito sério entre as crianças e acabar numa enorme mordida.
Por volta dos dois anos de idade as mordidas se tornam bastante comuns, principalmente na sala de aula. A criança não faz isso para machucar, tanto que ela também fica assustada quando o outro começa a chorar. As mordidas são comuns nessa idade e devem ser encaradas como uma etapa do desenvolvimento em que a criança aprende a conquistar e dividir seu espaço.
Fim das mordidas
• As mordidas costumam acontecer entre 1 e 2 anos de idade, o que não quer dizer que seja aceitável que a criança saia por aí distribuindo dentadas;
• Morder pode ser a forma de uma criança demonstrar insatisfação enquanto não sabe expressar as emoções com palavras;
• Fique atento se a criança tornar o comportamento um hábito, principalmente se já estiver maiorzinha. Nesse caso, morder pode ser sinal de problemas de relacionamento, ciúmes ou conseqüência de agressões;
• Nunca bata no seu filho se ele morder um amiguinho. Converse com ele, quantas vezes for preciso, sobre outras formas de conseguir o que deseja;
• Criança que morde começa a ser rejeitada pelo grupo. Por isso, corrija seu filho ao primeiro sinal de agressividade;
• Nunca ceda a um capricho só porque ele ameaçou bater ou morder alguém. Reprima a atitude e mostre o quanto o comportamento é inaceitável;
• Se seu filho for mordido, nunca o incentive a fazer o mesmo com a outra criança. Mostre que o coleguinha não fez por mal e sugira que ele brinque com outras crianças até que essa fase passe;
• Se ainda assim a criança reagir à agressão, não faça disso um problema. Meninos que cedem facilmente e não brigam pelo seu espaço também merecem cuidados, já que faz parte do desenvolvimento infantil criar estratégias de defesa.
Por que as crianças mordem?
A reclamação vem da escola, dos amigos e até de dentro de casa: seu filho anda mordendo os outros. De um a dois anos é normal que isso aconteça porque a criança está na fase de aprender a dividir. Para crianças com mais de dois anos a atitude, no entanto, é sinal de imaturidade. É uma reação ao meio, à escola, a ter que lidar com a frustração. A criança que morde ainda não sabe lidar com suas emoções.
Com as crianças entrando cada vez mais novas na escola, elas também precisam lidar mais cedo com as regras da vida social, têm que dividir, cooperar, trabalhar em grupo. Morder os colegas pode ser sinal de que ela não está preparada para lidar com isso. O papel dos pais nessa situação é o de tentar explicar para o filho o que está acontecendo. É o momento de dizer que ele está com raiva, mas não é assim que se deve reagir. Com o diálogo, a criança internaliza que o seu comportamento não é admissível. “Bater não tem nenhum efeito pois não resolve o problema”. A criança precisa do adulto para entender que a liberdade dela acaba onde começa a do colega e deve ser alertada que, ao agir com violência, está sujeita a ter uma resposta violenta também.
Morder também é sinal de egoísmo. A criança não percebe que está machucando o colega. Apenas quer obter o que deseja. Vale a pena explicar para ela que sua atitude é violenta e está ferindo um colega. Ao conversar com o filho sobre a situação, os pais devem oferecer opções para seu comportamento. “Ele precisa saber que não precisava reagir mordendo. Ele poderia se afastar do colega, conversar, enfim. Depende da situação”.
A atitude dos pais deve ser coerente em todos os momentos. “Se morder é errado, é errado sempre. Não importa a situação”. |

AS MORDIDAS DA ESCOLA
Não é raro encontrar queixas de pais que, ao buscarem seus filhos na escola os encontram mordidos por algum coleguinha. Geralmente são crianças pequenas, que estão aprendendo a dividir seu espaço com outras crianças da mesma idade.
Nesse período estão aperfeiçoando seus sentidos e agora fora dos cuidados dos pais e precisando dividir a atenção dos adultos com outras crianças.
Não é fácil para os pais assimilarem essas mordidas sem mágoa ou indignação de alguém, que não se conforma com a situação ao ver seu filho tão desprotegido, agora marcado pelos dentes de um colega. Tão desagradável quanto, é a situação dos pais da criança que morde. E assim uma cascata de cobranças começa em cima da escola, por não ter profissionais suficientes. E se tem, não estavam atentos aos ocorridos.Vale lembrar que as crianças estão em fase de amadurecimento e consequentemente estão aprendendo a exteriorizar suas angustias; medos, frustrações, anseios e descobertas.
Através do sistema nervoso central começam a elaborar o tato, o olfato, o paladar, a visão, e a audição. Consequentemente com as novas descobertas aprendem a usar as mãos, os dentes, como instrumentos de defesa. Numa fase anterior, talvez tenha sido o choro o instrumento mais usado para marcar a atenção.Não é fácil para a criança aprender a conviver com outras crianças da mesma faixa etária, que também disputam atenção. A mordida faz parte dos mecanismos de defesas mais primitivos do homem. Quando ele não consegue outra forma de comunicação, ou explorar o ambiente da forma que lhe agrada é possível que use esse artifício para marcar seu espaço.
Cabem aos pais, professores, não supervalorizarem a mordida em si, e sim as causas que levaram uma a morder, e a outra a permitir ser mordida.Quanto à escola, sabendo que está engajada com crianças que estão na fase de dividir, interagir. E se para nós adultos isso já não é tão simples, imagine para uma criança. É necessário trabalhar de forma lúdica pedagógica os sentidos, os gostos, o afeto e a divisão de espaço necessária para uma boa convivência.
Os pais devam ficar cientes que isso é um fato comum nas salas de aula onde convivem crianças que estão ainda em fase de amadurecimento do Sistema Nervoso Central. Elas experimentam as reações dos outros através de suas ações e consequências. Os adultos necessitam usar de coerência e não supervaloriza a mordida. Muitas vezes, crianças que mordem na escola são crianças mais possessivas que querem atenção exclusiva, filhos únicos, filhos de pais que estão em processo de separação, ou ainda crianças que estão com irmãozinhos recém nascidos em casa. De alguma forma ele precisa extravasar suas angustias e ansiedades. Como ainda não tem um repertório de vocabulário eficiente para comunicar-se utilizam o mecanismo da mordida como manifesto.
A questão da mordida deve ser trabalhada dentro da escola. E as causas das mordidas precisam de uma avaliação mais minuciosa entre os pais e a equipe pedagógica, para juntos reconquistarem a harmonia entre os pequenos, os pais e a escola.
Vale lembrar que somos todos inocentes, tanto à criança que agride através da mordida, expressando seus conflitos internos, quanto à criança que não aprendeu seus mecanismos de defesas. Os pais que entram em angustias ao defenderem seus pequenos, quanto à escola que depara com essa situação e muitas vezes se sente impotente ao receber o rótulo de negligente. A coerência entre os adultos é a melhor forma de suavizar esses pequenos conflitos diante da vastidão de angustia do mundo dos adultos.
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O QUE EU FAÇO? MEU FILHO ESTÁ MORDENDO

Essa pergunta normalmente é feita por pais que têm um filho que morde e pela professora que deve administrar essa situação em sala de aula, sem falar na reação dos pais que têm o filho mordido, os quais também não sabem como agir.
Morder faz parte do desenvolvimento de uma criança e é aceitável entre 1 a 3 anos e meio. No entanto, essa manifestação causa transtornos enormes tanto para as famílias da criança que está mordendo quanto para o contexto social em que a criança está inserida, quer seja na escola, na casa dos avós, um parque, etc.
Geralmente os pais se sentem impotentes diante das mordidas e a tendência é proteger a criança não expondo em situações de convívio, o que pode vir a tardar a aprendizagem de não morder o outro. Não podemos esquecer que nessa idade a criança está aprendendo a conviver e está conhecendo o mundo e seu funcionamento.
A criança morde por vários motivos: para experimentar simplesmente, para explorar e descobrir coisas, para se diferenciar, para lidar com a sua frustração, por estar com fome, com sono, por estar cansada, para chamar a atenção. Não é raro também a criança morder para ver a reação das pessoas.
É preciso perceber se a criança morde por impulso, para reagir a algo, ou se ela morde para se comunicar. De qualquer forma é preciso educar a criança que morde a buscar um comportamento social mais adequado. Os pais darem limites a criança é bom. Demonstrar que o que ela fez doeu e que vocês não gostaram. Afirmar que vocês não deixarão que aconteça novamente transmite segurança e ajuda muito. "Eu sei que você está cansado, mas fale pra mim ao invés de morder..." "Não será desta forma que seu coleguinha vai brincar com você..." " Você não pode morder as pessoas quando quer algo, é preciso dizer o que quer..." . Importante é que os pais ou professores demonstrem segurança para a criança e que eles estão ao lado dela para ajudá-la a controlar e adequar esse comportamento.
É inútil e inadequado morder a criança para ela perceber como é ruim. Isso assusta e não educa. Também não é adequado pedir que ela se coloque no lugar da criança que foi mordida. A criança nessa faixa etária não consegue se colocar no lugar do outro e avaliar a situação sob outra ótica. Pior ainda quando os pais pedem para a criança colocar-se no lugar deles. " O que você faria se seu filho fizesse isso?" Esse tipo de orientação só deixa a criança confusa, e muitas vezes aumenta ainda mais a sensação de incompreensão do que está ocorrendo. A criança também se assusta ao morder e perceber a reação do outro. Melhor é dar outras saídas. "Meu filho, isso dói! Morda esse brinquedo", ou então, sugira para ele morder bem forte a bolacha, mas não morder as pessoas!
É importantíssimo que a criança não se sinta culpada pelo que está acontecendo. Se os pais se desestabilizarem, acabam gerando na criança e possivelmente ela morda ainda mais.
Em sala de aula a conduta da professora deve ser semelhante aos dos pais. A criança que morde deve demonstrar que ela pode se manifestar de forma diferente e à criança mordida explicar que o coleguinha não queria machucar, sem deixar de dar a devida importância e atender ao susto e dor da mordida.
Os educadores concordam que uma criança se desenvolve através de brincadeiras e jogos que estão relacionados, encaminhando-se de estágios mais primitivos para outros mais elaborados. Se os adultos que cercam uma criança a impediram de vivenciar,compreender e dominar cada etapa do seu desenvolvimento, ao invés de ajudarem, correm o risco de tardar a conquista da maturidade e da compreensão do mundo de seu filho.Morder faz parte de uma das etapas do desenvolvimento e deve ser tratada dessa forma. A criança não é uma mordedora. Com calma e bom senso estamos preparando os nossos filhos para as mudanças da vida. |
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